domingo, 26 de julho de 2009

Ajudar e ser ajudado - parte 1

Outro dia eu estava relembrando algo que me aconteceu em uma das minhas viagens. Estava em um hotel em Cancun - México. Era meio dia, minha passagem era para as seis da tarde e, como tinha tempo, disse ao porteiro do hotel (lotado de jovens americanos) que estava a procura de alguém para dividir o táxi até o aeroporto. Logo ele voltou me dizendo que havia 3 americanas querendo rachar o táxi, mas que elas só tinham, juntas, a metade do valor. Pra quem ia pagar inteira, resolvi aceitar e ajudar as meninas.

Elas tinham cerca de 18 anos ou até menos. Primeira viagem pra outro país, primeira viagem sozinhas. Torraram todo o dinheiro no hotel. No táxi, perguntei que horas eram seus voos. Uma e meia da tarde !!! Não sabiam qual era o terminal e uma não sabia nem qual era sua empresa aérea. Pedi ao taxista para pisar fundo.

Todo meu lado canceriano aflorou e me senti responsável pelas meninas na mesma hora. Recolhi o dinheiro do táxi, que na verdade não era nem a metade, e acompanhei duas das meninas (americanas) ao check-in. Conseguiram embarcar, me agradeceram chorando, gritaram pra fila que eu as havia ajudado, rs rs rs... Perdi a outra de vista e fui pegar a van para o outro terminal.

Na van encontrei a outra menina, que era canadense, e literalmente a segui até o check-in, pois ela não queria a MINHA ajuda. Ela tinha um jeito bem orgulhoso e nem reparava em mim. Quando chegamos ao ckeck-in havia 2 pessoas na fila. Na vez dela, o atendente informou, em espanhol, que o voo estava lotado e o check-in encerrado e repetiu para ela num inglês sofrível. Ela começou a chorar e perguntar quando era o próximo voo (no dia seguinte), se teria que pagar (provavelmente sim), que não tinha dinheiro nem cartão de crédito. Eu me adiantei dizendo ao atendente, em espanhol, que ela só tinha bagagem de mão e se ele não conseguiria encaixá-la no vôo.

Brasileiras são sucesso de público e crítica no México. Enquanto eu negociava com o atendente, a menina desatou a gritar e a bater no balcão exigindo alguém que falasse inglês. O atendente ficou com os olhos arregalados e continuou a conversar comigo, dizendo que iria esperar a pesagem da aeronave e que então tentaria embarcá-la e que era pra gente esperar no fim do balcão para que as outras 2 pessoas que estavam na frente dela na fila, mas que tinham bagagem para despachar, não vissem o que ele estava fazendo por ela.

Pedi em inglês que ela me seguisse e que eu iria explicar. Ela continuou gritando, dizendo que não havia pedido minha ajuda, não iria a lugar algum, etc... Nessa hora me lembrei do filme Jerry Maguire e soltei a famosa frase: Help me to help you !!! Ela me seguiu a contragosto e, cinco passos a frente eu parei e expliquei a ela o que havia acontecido.

Ela desatou a chorar de novo, me abraçar e se desculpar pelo seu mau temperamento. Ficamos conversando e ela ficou absolutamente chocada quando eu disse que era brasileira (o descaso era tanto que nenhuma delas perguntou sequer meu nome) e pelo fato de eu falar 3 línguas. Quando eu achava que já tinha acontecido de tudo o atendente veio pegar os documentos dela e pediu o passaporte. Ela não tinha!!! O atendente disse que isso não era possível e eu pedi o documento que ela apresentou na vinda - tipo uma carteira de identidade. Dei ao atendente e disse a ele que se ela tinha vindo com ela, iria voltar com ela.

Nisso já era uma da tarde e eu comecei a desconfiar que o atendente não conseguiria embarcá-la e comecei a tentar acalmar a menina. Disse que, caso ele não conseguisse, que ela não se desesperasse porque eu tinha cartão de crédito e que a gente iria dar um jeito. Ela me olhou de um modo que era a própria interrogação e me perguntou por que eu fazia aquilo.

Contei isso tudo pra chegar nessa parte. Por que eu fazia aquilo por ela?

(continua no próximo post)

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